quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Breve reflexão !


Passados cerca de 2 anos da gestão autárquica do PSD à frente dos destinos do concelho de Óbidos, constato com agrado que se regista uma evolução positiva, mas a meu ver manifestamente insuficiente em algumas matérias que considero basilares. A acção social, a criação de emprego para os jovens, o apoio ás forças vivas (empresas, geradoras de riqueza e postos de trabalho), a agricultura, a requalificação urbana das aldeias do concelho, entre outras, têm ficado de certo modo esquecidas ou pouco desenvolvidas.


Ao nivel da acção politica, referindo-me somente à oposição eleita e óbviamente ao Partido Socialista, tem-se manifestado de forma continuada, totalmente incapaz para fazer uma oposição construtiva a Telmo Faria. Este "triste" facto, deixa o eleitorado socialista de Óbidos completamente descontente, diria mesmo orfão, abrindo um novo espaço politico alternativo.


O eleitorado Obidense é um eleitorado inteligente e a meu ver não irá convergir em bloco para o PSD. Diz o Povo com sabedoria, que não se devem colocar todos os ovos no mesmo cesto, disso os Obidenses têm a certeza.


Na minha opinião, este eleitorado abandonará naturalmente o PS e dará o seu voto a quem demonstrar ter credibilidade e projecto. Terá que ser um projecto de convergência ao projecto já iniciado, mas que terá de garantir que o compromisso assumido por todos para com os Obidenses, seja cumprido, e este compromisso é de que o seu concelho se torne melhor para todos os que lá vivem e óbviamente para os que o visitam que são certamente sempre bem vindos.


Vou mais longe : Acredito que irá aparecer uma alternativa credivel e consensual à direita do PSD, não tendo que ser necessáriamente apresentada por um partido politico.


Tenho dito !


Opinião de

Carlos Pinto Machado

Ex- Candidato Autárquico do CDS PP em Óbidos

NOTÍCIAS > CDS REITERA CRÍTICAS A TENTATIVA LANÇAMENTO "MANTO DE INDIFERENÇA" SOBRE VISITA LÍDER TIBETANO


O CDS-PP voltou hoje a criticar a tentativa de alguns órgãos do Estado de "lançar um manto de indiferença" sobre a visita de Dalai Lama, sublinhando que se trata de um "referencial da paz".
O CDS-PP voltou hoje a criticar a tentativa de alguns órgãos do Estado de "lançar um manto de indiferença" sobre a visita do líder espiritual tibetano Dalai Lama, sublinhando que se trata de um "referencial da paz"."Da parte de alguns órgãos do Estado há a tentativa de lançar um manto de indiferença", afirmou o deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares, num comentário ao facto de o Governo português e o Presidente da República não irem receber oficialmente o Dalai Lama.Pedro Mota Soares, que falava aos jornalistas no Parlamento, recordou que Dalai Lama é um líder espiritual para "milhões de pessoas" e "um referencial da paz e dos direitos humanos"."O Estado tem um tratamento de muita indiferença, quando depois valoriza excessivamente outros elementos onde os direitos não são respeitados", acrescentou, apontando como exemplo Fidel Castro.O Dalai Lama chegou hoje a Lisboa para uma visita de cinco dias, que serão ocupados com a realização de ensinamentos, uma conferência pública assim como encontros com deputados portugueses e com o presidente da Assembleia da República.A agenda do Dalai Lama, prémio Nobel da Paz em 1989, inclui ainda um encontro com o Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio. O Dalai Lama não será, contudo, recebido oficialmente pelo Governo português.Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, a decisão do governo de não receber oficialmente o Dalai Lama foi assumida no contexto das boas relações com a China e não decorre de nenhuma pressão.Também não está previsto qualquer encontro entre o líder espiritual tibetano e o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.O 14/o Dalai Lama Tenzin Gyatso, galardoado em 1989 com o Nobel da Paz, visitou pela primeira vez Portugal em Novembro de 2001, tendo estado em Lisboa, no Porto e no Santuário de Fátima.Nessa altura, o Dalai Lama foi recebido fora do Parlamento, num hotel de Lisboa, por deputados do PS, PSD, CDS-PP e BE e pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, fora do Palácio de Belém, no Museu Nacional de Arte Antiga.

Ché-rial-killer


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Força Portugal !


No DN de 2007/09/03 - Artigo de Opinião


O QUE FALTA PARA SAIR DA CRISE


João César das Neves

Professor Universitário

naohaalmocosgratis@fcee.ucp..pt

A base da crise portuguesa não é económica, social, financeira. Estes problemas, apesar de atraírem muita atenção, são laterais ao drama central, que é cultural. Vivemos um grave problema cultural, que não é a lamentada tradição lusitana ou a triste decadência do Ocidente, mas algo muito mais prosaico: o País está desanimado e a causa é fácil de descrever.O Antigo Regime apostava tudo na identidade nacional. Propósitos do sistema e linhas de orientação eram bem claras e repetidas. Após 1974 os anos da revolução tiveram, também eles, um marcante programa cultural, se bem que turbulento e ambíguo. Depois do consenso salazarista, foram tempos de intenso debate ideológico. Nos anos 80, com a sociedade pacificada e o regime estabilizado, um novo acontecimento veio trazer outro vector dinâmico: o exigente desafio da adesão europeia empenhou todo o tecido nacional no compromisso do desenvolvimento e da eficácia. Deste modo, com Salazar, Soares e Cavaco, Portugal viveu sob motivações diversas, contraditórias até, mas sempre claras e evidentes.Assegurada a participação habitual na Europa, António Guterres ensaiou uma nova matriz. Vencida a ameaça económica, a sua proposta era um país abastado mas solidário, confortável e compassivo. Apesar das fortes diferenças, o esqueleto do modelo era o de Marcello Caetano. Após breve Primavera, falhou igualmente.No essencial o diagnóstico guterrista era correcto. Portugal já é um país rico, influente, equilibrado. A economia cresce e atrai imigrantes, a rede social é abrangente e sólida. Mas nos dias de hoje a complacência não consegue manter credibilidade, porque as expectativas ultrapassam sempre os sucessos. A Primavera guterrista tinha de durar pouco. A inversão do ciclo e os deslizes orçamentais minaram a confiança, enquanto a globalização empilhava ameaças.Perdida a orientação, começou a crise. Os governos de Barroso e Sócrates têm a profundidade cultural de uma repartição de finanças e, no meio de relativo conforto e dinamismo produtivo, Portugal vive um clima de depressão emocional. Qualquer que seja a conjuntura ouve-se a nostalgia saloia e os lamentos fadistas da desgraça nacional. O PIB até pode acelerar, mas pululam as tradicionais aves agoirentas que se deliciam em criticar a miséria incurável "deste país".Uma crise cultural é sempre reforçada por consequências éticas, e por cá esses sintomas são claros. A desmoralização nacional é também uma queda de padrões morais. Repete-se que o Estado não é pessoa de bem, enquanto a imprensa nos bombardeia com abusos e misérias. Os escândalos da Casa Pia, os casos de corrupção autárquica e futebolística juntam- -se à lentidão da Justiça e ao sentido de impunidade. Correm boatos de favores e negociatas. Até o sucesso empresarial vem inquinado pela sensação de oportunismo e injustiça. Tudo contribui para o clima geral de depressão.Entretanto, sem entender a situação e confiando na verdade do diagnóstico estatístico, a política insiste nos problemas laterais. As autoridades acreditam mesmo na ilusória viabilidade do ideal caetano-guterrista, se a economia funcionar. Enquanto apostam tudo num inglório esforço tecnológico-produtivo, vão enfraquecendo os pilares da estrutura civilizacional.Todos os pólos culturais da sociedade portuguesa estão a dar sinal de alarme. Ataca-se a família como obsoleta e ridícula. A escola passou de veículo ideológico a burocracia rotineira e reivindicante. Artes e espectáculos são minadas pelo clientelismo e tolice. Tenta-se controlar a comunicação social, a qual se rende ao populismo boçal. A perseguição surda à Igreja já levou a uma queixa inusitada da Conferência Episcopal.Assim, mesmo que as reformas funcionem e a economia melhore, o País permanece desmoralizado. Do que Portugal precisa, antes de tudo, não é crescimento e investimento, tecnologia e emprego. Precisa de algo mais precioso: uma ideia, um projecto, um objectivo que empolgue e convença. Algo em que acreditar. Portugal até tem progresso. Precisa de fé.



domingo, 26 de agosto de 2007

25 de Agosto, junto à Lagoa de Óbidos

Festa de Verão
celebra
Óbidos Maravilha de Portugal

O CDS PP Óbidos agradece o convite e felicita a Câmara Municipal de Óbidos por este evento.

Óbidos, 25 de Agosto de 2007, Carlos Pinto Machado


sábado, 18 de agosto de 2007

Artigo de Opinião da Dra. Maria José Nogueira Pinto no DN de 16/08/2007


TERRA DE RAINHAS


Maria José Nogueira Pinto

Jurista

Óbidos fez parte da geografia da minha infância. Foi, provavelmente, a primeira incursão "erudita" em terras portuguesas, incursões que fiquei a dever às "voyages avec ma tante", uma tia especialmente talentosa que contava a História como a grande narrativa de todas as histórias com que se entretêm as crianças, pairando entre o real e o lúdico, o gosto da cronologia e o fascínio da intemporalidade.Óbidos, como se sabe, presta-se a isso mesmo, ao ter atravessado, imperturbável e imperturbada, séculos de vivência humana, protegida das malfeitorias próprias e todas as formas de exercício do poder, graças ao bom senso e teimosia de alguns.Recordo-me bem dessa terra "dormida", as igrejas riquíssimas mas penumbrosas, os quadros da Josefa de Óbidos escurecidos por falta de restauro, o casario fiel à sua traça primitiva mas já com evidentes sinais de decadência, as muralhas e o castelo ameaçados, um comércio esquecido no tempo, indiferente tanto ao nativo como ao turista ocasional, o artesanato pobre e, para além da pousada, uma hotelaria e uma restauração incipientes.Ali mesmo ao lado, Caldas da Rainha era uma cidade animada por cafés, esplanadas, comércio, mercados, museus, livrarias, as termas, o parque com os seus cortes de ténis, a fábrica do Bordalo e as cavacas.No pós-25 de Abril acompanhei, como residente sazonal desta região, o percurso das duas terras. Mais tarde fui, com orgulho e gosto, deputada à Assembleia Municipal das Caldas. A comparação entre Caldas e Óbidos era recorrente e não escondia uma certa competição. Dizia-se que em Óbidos pouco se estragava porque pouco se fazia e contrapunha-se a aparente dinâmica de desenvolvimento das Caldas. Esta discussão estéril escondia o essencial: o desafio que já então se colocava a muitos concelhos de Portugal, traduzido na equação complexa de abrir aos novos tempos, preservando as raízes e reforçando a identidade distintiva de cada um.Também aqui se podia aplicar, com sabedoria, a impressionante máxima do príncipe de Salina, o Dom Fabrizio do Gattopardo de Tomasi di Lampedusa: "Se queremos que tudo permaneça como está, é preciso que tudo mude."No caso de Óbidos, a abertura às exigências dos novos tempos constituía um risco manifesto, só contornável com rasgo e visão acrescidos, dadas as exigências específicas de um território marcado pela força da sua História e a riqueza do seu património. E sabemos bem, é visível por todo o País, o peso das feridas provocadas por um deturpado conceito de desenvolvimento e uma má interpretação da modernidade: turismo massificado, lixo, excesso de ruído, trânsito e mesmo algum vandalismo consentido como um inevitável preço do progresso.Mas não tem porque ser assim. Em Óbidos, o que aconteceu nos últimos anos está entre o milagre e o study case, com resultados extraordinários: um terra igualmente bonita e harmoniosa, um espaço reforçado na salvaguarda do seu património que convive, agora, com as pessoas, residentes e visitantes, portugueses e estrangeiros, das mais diversas origens e condições, que ali afluem pelos mais variados motivos. E é por isto mesmo que o comércio se tornou atractivo, com horários alargados, uma hotelaria e uma restauração que rivalizam em qualidade, e a atractividade de Óbidos se desmultiplica em programas ambiciosos e bem sucedidos de animação cultural, para todos os públicos, desde feiras medievais a semanas de ópera, desde a encenação da Semana Santa à festa do chocolate, desde exposições a concertos.Infelizmente, Caldas manteve-se nesse aparente desenvolvimento, assente numa gestão urbana de obra pública duvidosa e empreendimentos imobiliários. As enormes potencialidades das Caldas e das suas gentes estão embotadas por uma condução sem estratégia nem rasgo da sua edilidade. Valem-nos os que ainda lutam, mantendo nichos de qualidade. Esperemos que resistam até que cheguem melhores dias. Esta terra merece-o. E eu sei que sim.